Longevity Advocate
História

Uma noite em Boston que mudou como vejo a palavra “natural”

O meu filho e eu ouvimos de uma bioeticista em Boston por que viver muito mais, com saúde, é o trabalho mais importante do nosso tempo.

Alek e Raiany Romanni-Klein, na casa dela em Boston, novembro de 2024 · Live Beyond
Alek e Raiany Romanni-Klein, na casa dela em Boston, novembro de 2024 · Live Beyond · Live Beyond

Algumas frases ficam com a gente por anos. A que eu ouvi da Raiany Romanni-Klein, numa noite de novembro em Boston, é uma delas. Ela começou assim:

Se eu tivesse uma varinha mágica e pudesse apagar um único viés da civilização humana, seria essa ideia de que o que é natural é moralmente superior ao que não é natural.

O meu filho Alek e eu estávamos no apartamento dela depois de um dia inteiro de filmagem. Tínhamos conhecido a Raiany poucos dias antes, numa conferência em Harvard. Ela é bioeticista: o trabalho dela é pensar no que a gente, como civilização, deve fazer com as biotecnologias novas. E eu contei a ela o que eu sinto. A vida é bonita demais para eu aceitar que ela tem um prazo fixo. Ela nem hesitou:

Se você está morto, não pode fazer nada. Então eu diria que estender a vida é a coisa mais importante pela qual deveríamos estar trabalhando.

Toda vez que digo que quero viver pelo menos 500 anos, alguém me pergunta quem vai pagar a conta. A Raiany tinha os números na cabeça, sem olhar uma anotação sequer:

Até 2029, os Estados Unidos vão gastar 3 trilhões de dólares por ano, metade do orçamento federal, com adultos de 65 anos ou mais, com o Medicare e a Social Security. Eu diria que esse é o maior problema da civilização humana… neste século.

Ou seja, a conta já chegou. A gente já paga, e caro, por todos os anos que passa doente. Só que quase todo esse dinheiro vai para tratar as doenças da velhice. Para a causa delas, que é o próprio envelhecimento, sobra quase nada.

A conta do envelhecimento já está na mesa. Falta decidir onde colocar o dinheiro.

Aí eu a provoquei com a palavra que mais assusta as pessoas. Mexer no envelhecimento não seria ir contra a natureza? A Raiany me lembrou que até aquilo que chamamos de doença muda de uma época para outra. Decidir tratar ou não o envelhecimento, para ela, é uma escolha moral, e não científica. E então ela disse a frase que eu levo para todo palco onde subo:

Na minha visão, ou tudo é natural ou nada é. Então, qualquer coisa que o cérebro humano consiga produzir é natural, eu diria. … Se conseguimos imaginar, conseguimos fazer acontecer.

Eu penso igual. Quase tudo o que a ciência faz é entender como a natureza já funciona e usar isso a nosso favor. Lembra da penicilina? Veio de um mofo. E a Raiany olha para o futuro com otimismo. Se a gente viver até os 200, ela não imagina um mundo travado por gente velha. Imagina o oposto:

Acho que o potencial humano pode ser liberado como nunca antes se chegarmos a viver até os 200. Acho que poderíamos fazer descobertas incríveis. Quer dizer, dá para imaginar se alguém como o Einstein pudesse viver mais 100 anos?

Em maio deste ano, ela entrou ao vivo no nosso show no Life Summit, em Berlim, direto de Boston, no telão. Eu quis a Raiany lá porque um movimento precisa fazer mais do que inspirar. Ele precisa convencer governos, empresas e instituições, e é exatamente isso que ela faz. E ela tem um livro a caminho, The Good Lifespan, pela Harvard University Press. E a nossa conversa faz parte do filme “Live Beyond. Pai e filho em busca da longevidade”, que estreia no ano que vem.

Agora eu quero ouvir você. Se a ciência pudesse te dar 200 anos com saúde, você aceitaria? Me responda só com sim ou não.

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A história completa, com as fotos e todas as vozes daquela semana em Harvard, está no Live Beyond Hub:

Alek Piotrowski and Raiany Romanni-Klein, Boston, 2024.

O artigo completo no Live Beyond Hub

Ou tudo é natural ou nada é: o que Raiany Romanni-Klein contou para mim e para o meu filho

12 minutos de leitura · 7 fotografias · 4× mais longo que esta página

Escrito por Marek Piotrowski. Se você quiser o Mapa da Longevidade que está por trás de tudo isto, ele é seu, com o seu guia: peça aqui.

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